Tóquio, 12 out (EFE).- O Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial (BM) apelaram nesta sexta-feira para a colaboração de seus membros como a "única maneira" de evitar a crise, em reunião anual na qual o ritmo de aplicação dos programas de ajuste na Europa avivou os debates.
"O espírito de cooperação é a única maneira de avançar", ressaltou a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, no discurso que abriu a reunião plenária do Conselho de Governadores realizada hoje por ambos os organismos na capital japonesa.
Mediante tal cooperação, Lagarde considerou que devem ser superados três desafios: deixar para trás a crise para recuperar o crescimento e acabar com o "aumento" do desemprego, reduzir as desigualdades e, por último, completar a reforma do sistema financeiro, apesar dos altos custos que criticam alguns setores da indústria.
Neste último aspecto destacou os progressos no referente a melhorar as reservas de capital e liquidez, embora tenha admitido que se está "perdendo impulso" para executar o que foi pactuado e citou questões pendentes como os "derivados, os bancos na sombra e as instituições grandes demais para quebrar".
O organismo, que realiza amanhã a reunião de seu Comitê Monetário e Financeiro, insistiu em apregoar, um dia a mais, sua fórmula revisada para enfrentar a recuperação.
Isto acontece entre outras coisas para fomentar o crescimento e as políticas de acomodação, e para aplicar programas de ajuste "realistas" e "no ritmo adequado", em referência ao impacto que as medidas de austeridade tiveram em Espanha, Grécia, Portugal e Itália.
O ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, apoiou por sua vez o rumo das reformas na Europa, onde considerou que as maiores incertezas terão sido superadas "em um ano".
Em um debate organizado no marco do encontro de Tóquio o político alemão disse que, de sua perspectiva, os planos de austeridade são políticas fiscais estáveis e que "se preocupar sempre com os protestos" impede a execução de medidas de sustentabilidade.
"Muitos protestaram contra as reformas trabalhistas. Mas o caso é que em vários países diminuíram os custos trabalhistas", afirmou Schäuble.
Por sua vez, o ministro de Economia espanhol, Luis de Guindos, considerou que as últimas previsões negativas do FMI sobre a Espanha "em absoluto invalidam o esforço de consolidação fiscal no país, e lembrou que as medidas adotadas foram bem recebidas pelo Eurogrupo".
"A projeções do FMI não estão escritas em bronze, e aí está todo o plano de atuação do Governo em medidas de política econômica de redução do déficit público, do fomento do crescimento econômico", acrescentou.
O ministro espanhol destacou de novo em Tóquio que o Governo "vai escolher o momento que considere mais adequado para tomar uma direção ou outra" a respeito de solicitar a presença do programa de compra de bônus (OMT) do Banco Central Europeu, e que nesse sentido não houve "a mínima pressão".
Também insistiu em que o Governo de Mariano Rajoy "não vai se movimentar em função do que as agências de rating dizem", ao se referir ao recente rebaixamento da nota da dívida espanhola por parte de Standard & Poor's, com a qual se mostrou em desacordo, da mesma forma que fez hoje Schäuble.
Em paralelo às assembleias, os ministros do Grupo dos Oito (G8) aproveitaram para manter um encontro no qual estudaram a situação nos países que viveram a Primavera Árabe e acertaram uma assistência financeira de US$ 164 milhões para Egito, Líbia e Tunísia para apoiar a transição.
No entanto, o montante total está muito abaixo dos US$ 250 milhões que foram falados inicialmente por algumas partes para estabelecer este Fundo de Transição para o Oriente Médio e Norte da África. EFE
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